Pensionatos ainda existem nos dias de hoje? Sim. E não são coisa de outro. Boa parte dos estudantes da Unisinos são de outras cidades. Para estudar, uma alternativa é mudar-se para São Leopoldo. O pensionato São José, localizado no centro da cidade, abriga atualmente 26 meninas de vários lugares do Brasil. Sou uma delas, por sinal. Como é a vida de quem mora por lá? Assista na video-reportagem postada aí embaixo.
Após cem anos desde a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, descendentes brasileiros daquele povo mantêm relações distintas com a cultura milenar de seus antepassados.
*Publicado originalmente no site Portal3.
Não há como não perceber um descendente de japonês. Diferentemente de outras origens étnicas que circulam no sangue dos brasileiros, a japonesa não se deixa disfarçar. Os cabelos extremamente negros e lisos e os olhos puxados são características marcantes. Porém, mais do que a aparência física, o nikkei, descendente de japoneses, carrega consigo uma carga cultural vinda do oriente e que completa em 2008 um século no Brasil.
Se os japoneses contribuíram economicamente para a agricultura do país trabalhando nas lavouras de café e, posteriormente, introduzindo o cultivo em larga escala de verduras e legumes, transformaram também alguns hábitos alimentares do brasileiro. Hoje, um dos carros-chefe da exportação agrícola do país é a soja, rendendo este ano mais de US$ 9 bilhões até julho. Assim como o arroz, cultivado no Japão há mais de dois mil anos, o grão faz parte da base da alimentação japonesa, junto ao peixe, aos vegetais e aos frutos do mar.
Talvez a alimentação seja o principal elemento cultural japonês difundido no Brasil e, sem dúvida, o aspecto mais cultivado pelos nikkeis. “Não sei cozinhar nem preparar pratos da culinária japonesa. Tudo o que consumo deste cardápio é preparado por minha mãe, mas como gosto muito, sei que terei que aprender a fazê-los se quiser continuar a me alimentar deste modo”, conta a nissei (filha de japoneses) Erica Hiwatashi, coordenadora do curso de Relações Públicas da Unisinos. A comida típica japonesa, segundo ela, só tem o mesmo gosto do Japão quando preparada por japoneses. E, de preferência, em casa.
Na sua alimentação, há sempre peixe (assado ou frito) pelo menos uma vez por semana. Completando o cardápio estão as verduras cozidas, sashimi (salmão cru), um tubérculo que assemelha ao inhame brasileiro e o Tepanyaki, que é servido em uma espécie de ritual familiar. “Sempre juntamos toda a família nos finais de semana para fazer o Tepanyaki. São pedaços picados de verduras, cogumelos, filé, repolho e ervilha torta, grelhados na mesa – mesmo em grelha elétrica – e regados com molho Tarê (agridoce)”.
Erica no Japão em 1995/Arquivo Pessoal
Ainda assim, o Brasil bate forte no coração e o estômago de Erica. Formada em Relações Públicas, foi ao Japão em 1995 através de uma bolsa de estudos de integração cultural concedida pelo Ministério das Relações Exteriores do país. “Eu me percebi como brasileira de fato quando senti muita saudade de feijão com arroz, um prato que nunca dei muita importância. Depois que voltei, para mim não existe nada melhor”, admite.
Nascer em terras brasileiras é fator fundamental na construção da identidade do nikkei. Apesar dos laços familiares e da inserção na cultura nipônica, algumas diferenças se estabelecem conforme o avanço das gerações.
Herança Cultural
A cultura japonesa veio na bagagem história dos imigrantes. O desembarque do navio Kasato Maru em Santos, no dia 18 de junho de 1908, é considerado oficialmente o marco da imigração deste povo no Brasil. Mais tarde, fugidos das mazelas da Segunda Guerra Mundial, como a fome, a falta de emprego e baixa qualidade de vida, muitos japoneses deixaram o país em busca de novas oportunidades.
Assim como todos os povos que vivem no Brasil e contribuíram para a formação sócio-econômica do país (negros, italianos e alemães, por exemplo), os japoneses trouxeram também uma riqueza cultural milenar. Aqui, encontraram trabalho árduo nas lavoras de café. Contudo, a maioria dos imigrantes abandou o emprego para iniciar sua própria produção, como as primeiras plantações de algodão. Isto agregou a eles no imaginário popular a imagem de um povo trabalhador e honesto.
Família Yamashita
A história de como chegaram ao país é comum entre os imigrantes, e foi assim com os pais de Erica. Sadao, já falecido, e Reiko Hiwatashi vieram em situações diferentes para o Brasil. Sadao chegou ao país ainda criança, acompanhado da família em meados da década de 1930. Fugiam do pavor da guerra e instalaram-se em Pelotas para cultivar verduras. Posteriormente, a família mudou para Porto Alegre, dedicando-se o plantio de tomates.
A mãe, Reiko, migrou para Porto Alegre após o término da guerra em busca de uma vida melhor. Os dois participaram de uma tradição muito comum até o século passado para a cultura nipônica, o Miai: casamento arranjado. A tradição, no entanto, não foi cumprida pelos filhos do casal.
Erica também não segue o budismo, a religião dos pais. É católica. Também não se interessa tanto pelo cotidiano japonês como a mãe, que acompanha durante todo o dia o canal NHK e só fala em japonês.
Ainda assim, ela mantém vivas outras atividades da cultura japonesa, principalmente ao que se refere à cultura pop, como cinema e música. Dos aspectos tradicionais, admira o equilíbrio e a contemplação da estética oriental tradicional, do design e dos jardins.
Novas Gerações
Mesmo com a influência dos pais e avós, muitas das formas culturais desses orientais tendem a diminuir com o passar das gerações.
A sanssei (neta de japoneses) Camila Mayuri Yamashita, de 18 anos, não é fã da culinária japonesa, apesar de saber fazer o oniguiri, um bolinho de grãos de arroz. É católica e não sabe falar japonês além da compreensão de algumas palavras soltas. Sua descendência nipônica vem apenas por parte de sua mãe. O avô, contudo, veio para o Brasil antes da Segunda Guerra.
Tudo o que Camila sabe e cultiva da cultura japonesa foi por interesse próprio. “Minha avó ainda cultiva muita coisa do Japão, mas poucos dos netos se interessam em aprender alguma coisa. Além da falta de interesse por parte deles, vejo também que ela tem alguma dificuldade em transmitir a tradição”, pondera Camila, que tentou aprender japonês na infância, mas esbarrou nas dificuldades que o idioma apresenta.
Moradora de São Leopoldo, passou a freqüentar a colônia japonesa de Gravataí quando seu avô faleceu, deixando sua avó sem companhia para as atividades. Lá, Camila pratica Gateball, esporte japonês semelhante ao críquete. O local serve à comunidade nipônica para a prática de esportes coletivos e atividades recreativas, sobretudo voltadas para a terceira idade, sob a organização da Enkyo, uma instituição beneficente nipo-brasileira.
Apesar de não ter tanto apego às tradições japonesas, Camila não pisa no interior da casa de sapato. Traz energias negativas. Desde a infância faz o Omeretô. A prática consiste em decorar uma frase em japonês para pronunciar no reveillon, que ganha mais palavras a cada ano. A bonificação é receber uma quantia financeira simbólica de cada membro da família.
Ainda assim, defini-se como brasileira. “Amo meu país. Já cogitei morar no Japão com parentes, mas tenho medo do estigma de operário que os estrangeiros têm por lá. Não importa se você tem formação superior, o tipo de trabalho para quem não é nascido no Japão é mais na área industrial”, revela.
Ela tem razão. Os dekasseguis, nipo-brasileiros que vão ao Japão para ganhar a vida, acabam fazendo os serviços que o japonês nativo não quer fazer: desde montagem de peças eletrônicas em fábricas à limpeza de ruas, além da carga horária de trabalho exaustiva de cerca de 12 horas por dia. O que não significa que alguns não possam obter sucesso. Dados apurados em 2006 pelo Consulado Japonês de São Paulo, maior colônia nipo-brasileira do país, dão conta de que mais de 20 mil vistos de trabalho foram concedidos.
Esse retorno dos descendentes para a terra dos antepassados começou ainda na década de 1980, quando o Japão iniciava o seu boom econômico. Hoje, o país se transformou em um dos maiores pólos tecno-industriais do mundo e sinônimo de consumo.
Consumo este que se manifesta na moda e na cultura pop, globalmente reconhecida. Os mangás – revistas em quadrinhos – e os animes – desenhos animados – são febre no Brasil. Desta cultura jovem e pop, Camila não gosta. “Acho que é uma moda passageira e até acho que tem perdido a força que tinha até pouco tempo atrás”.
Do que aproveita da cultura tradicional dos avós está a admiração pelo respeito que os japoneses têm pela família e pelos mortos. “No ano novo, minha avó não sai de casa, pois acredita que o espírito de meu avô visita a casa para abençoá-la na transição do ano”, revela a garota que executa ritos de passagem japoneses como a celebração de aniversários de morte dos parentes, visitando os túmulos e acendendo incenso.
Família Mayuri Yamashita/Arquivo Pessoal
E se há algo que esta sanssei queira passar para seus descendestes da cultura japonesa é apenas a união familiar. “Não vejo na parte brasileira da minha família a união que percebo entre a parte japonesa. Estamos sempre reunidos. Para meus filhos, só quero transmitir o afeto e o respeito que possuímos um com outro”.
Como o prometido, aí vai a entrevista com o músico/inventor/técnico em eletrônica TONY DA GATORRA!
Música é lugar.
É espaço-tempo psicológico. Por isso posto aqui uma pseudo-resenha do disco solo de Marcelo Camelo.
* Texto originalmente produzido para o site Portal3
Goiabada com queijo. Verão e mar. Inverno e pantufas. Duplas perfeitas.
Assim eram Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, dois grandes músicos brasileiros que Deus teve a bondade de unir (alguém lembrou de Paul e John?).
A opinião não é apenas minha. Quando o Los Hermanos anunciou, em abril de 2007, que daria uma pausa por tempo indeterminado, a desolação foi geral entre os numerosos fãs da banda, um público fiel construído ao longo da carreira como poucos possuem hoje no país.
O último disco do grupo já revelava que as composições de cada um começavam a tomar rumos diferentes. A melancolia mpbista das músicas de Camelo se distanciava do tom animadinho das de Amarante, como Paquetá e Condicional, por exemplo.
Foi então que… Craaaaaaaaaaaaaassh. Los Hermanos dá um tempo… indefinido. Como doía essa palavra: Indefinido.
Tristes momentos. Mas o hiato em pouco tempo se mostrou produtivo. Enquanto Amarante aventurava-se com o músico americano Devendra Banhart, Camelo fazia uma participação no Acústico de Sandy e Júnior, o que para os fãs mais xiitas poderia parecer um grande declínio.
Amarante foi mesmo na onda do Devendra, excursionando com o músico mundo a forma. E Marcelo Camelo? Simplesmente laçou, no final de agosto, o mais aguardado disco do ano. Seu primeiro trabalho solo está disponível para download no portal Terra.
Intitulado Sou (Nós de cabeça para baixo), o que se percebe nas 10 faixas disponíveis é um Marcelo Camelo totalmente entregue a sonoridade da MPB.
Sempre me questionei o porquê das músicas de Camelo ficarem tão diferentes nas vozes de Maria Rita e Ney Matogrosso. Ouvindo Sou pude compreender. Até mesmo as duplas perfeitas precisam se separar em algum momento.
Por mais que Camelo e Amarante fossem ‘perfeitos’ juntos (e ainda assim, prezassem pela individualidade de suas composições), sozinho, Camelo revelou seu próprio eu.
Apesar das letras manterem uma linha semelhante à seguida nos Los Hermanos, a sonoridade do álbum solo é mais real, mais sincera, mais Marcelo Camelo. Ou pelo menos, o do Camelo de agora. A mim, o disco remete a memórias de uma infância na qual eu ouvia todo o santo domingo os vinis de Gal, Bethânia, Caetano, Clara Nunes, Chico Buarque e Djavan que meu pai colocava pra tocar.
Como o próprio Camelo declarou à Zero Hora: “Cada vez que eu faço algo é como se estivesse começando de novo, assim. Sei que estou vindo de algum lugar, mas a sensação mesmo é de não aproveitar uma idéia que eu já tive no passado”.
Sou é isto. É o nós do avesso.
Pausa entre um estágio e outro. Horário de almoço. Eis que no restaurante, em pela Unisinos, me deparo com nada mais, nada menos do que o inventor da Gatorra. Assim, almoçando com Marcelo Birck.
O motivo: Os dois toracão neste domingo, 14, no Porão do Beco (Independência, 936, Porto Alegre) na “Festa da Gatorra” e foram à Rádio Unisinos divulgar a o festerê.
Além dos dois, as bandas Damn Laser Vampires, Grosseria e Musical Amizade estarão por lá agitando o domingo da galera.
Em breve entrevista em vídeo com o Tony da Gatorra.
Dia normal, restaurante, almoço. Hoje teve algo além.

Luiz Carlos Pooter tinha uma vida pacata. Seu ambiente, por vários anos, foi a Caixa Econômica Federal, seu local do seu trabalho. Até que aos 52 anos ele deciciu mudar de vida. E, com isso, mudou também de ares. Pooter encontrou na Universidade algo além.
* Reportagem originalmente publicada no site Portal3.
Era um hábito comum. Como a maioria dos aposentados, Luiz Carlos Pooter lia o jornal pela manhã. Em uma manhã de 2006, quando Pooter sentou-se em sua poltrona e folheou as notícias do dia, ele não imaginava que a partir daquele momento sua vida finalmente tomaria o rumo que sempre sonhou.
O que ele viu foi o anúncio de um novo curso que a Unisinos inauguraria no primeiro semestre de 2007: Formação de Produtores e Músicos de Rock. Era o que esse jovem de 52 anos estava esperando para retomar sua velha paixão, o rock’n’roll.
Pooter nasceu em Gramado em 23 de novembro de 1954. Mas pouco ficou na cidade para tomá-la como seu lar. Ainda pequeno, mudou-se para São Sebastião do Caí. A mãe, Giolástica Paulina, e o pai, Pedro Pooter, sempre trabalharam duro para sustentar os nove filhos.
Por este motivo, Pooter começou a trabalhar ainda muito cedo, aos 14 anos. Largou o Ginásio (que hoje equivale ao Ensino Médio) para ser office-boy nas conservas Oderich. A responsabilidade precoce, no entanto, não afetou sua criatividade nem seu gosto pela música, que já se mostravam presente desde aqueles tempos. Naquela época, Pooter deu início a uma coleção de vinil que hoje chega a cerca de 400 LPs.
Foi junto a um amigo que ele inventou, naquela idade, o seu próprio instrumento musical. Com a guitarra caseira, o autodidata aprendeu a tocar os primeiros acordes. Tirava de ouvido suas canções preferidas, hábito que o fez tornar-se muito bom de memória.
Era a década de 60 e Sargent Peppers, dos Beatles, bombava nas rádios. Através das ondas médias da Rádio Continental, de Porto Alegre, o menino do Vale do Caí conhecia o rock’n’roll vindo dos Estados Unidos e da Inglaterra. Logo, a paixão pela música fez com que os dois amigos montassem a banda Os Magnatas, e passassem a se apresentar nos bailes da cidade.
Depois de seis anos juntos, chegou um momento em que o seu gosto musical começou a destoar do de seus companheiros, que puxavam para o brega e a jovem guarda. Afinal, não se pode esquecer que este também era o tempo de Wanderléa e Ronie Von.
Pooter, então, passou a se apresentar frequentemente em festivais da cidade e também bailes, sem nunca deixar de trabalhar para ajudar a família. A vida regrada fez com que o rapaz que sonhava em ser um músico famoso percebesse que não seria fácil viver deste sonho.
O office-boy retomou estudos e passou em um concurso da Caixa Econômica Federal. Trabalhou em várias cidades do Interior e rapidamente assumiu a função de gerente. Apesar do bom emprego, seu coração batia mesmo era pela música. Em 1982, voltou a se apresentar em bailes, desta vez com a banda Flor da Serra. Depois de um ano de uma extensa agenda de apresentações, Pooter volta a abandonar a música para se dedicar ao trabalho.
“Nunca tive coragem de largar um emprego como
a Caixa Federal pra me dedicar à música”
Em dezembro de 1990, Pooter casou-se com Nádia, irmã de três músicos já conhecidos por ele dos bailes do Interior. Durante o casamento, passou por algumas bandas, como o Naftalina (de 1992 1994) e o Bakarath (2001 a 2003), com quem chegou a gravar um CD, mesmo que sua prioridade sempre tenha sido o trabalho como bancário, cuja renda era fundamental para suprir a família.
Espírito Roquenrol
Quem vê Pooter pelos corredores da Unisinos logo percebe que é um cara do rock. Suas roupas e seu jeitão provam que idade definitivamente é um estado de espírito.
Em 2000, com o nascimento da filha e a aproximação de sua aposentadoria, Pooter começou a repensar toda sua vida. Formou-se em Administração em 2004, mas percebeu que havia levado uma vida burocrática e nunca havia tido coragem de abraçar o rock como seu ganha pão. Havia arriscado pouco e sentia que algo estava faltando.
Foi em um curso de preparação para aposentadoria que o fez ver que não poderia deixar sua rotina se esvaziar e que a partir daquele momento, sim, era a hora de retomar todos os sonhos que havia deixado para trás.
Assim que saiu da Caixa Econômica Federal, em 2006, entrou em um curso técnico para guitarristas. Queria aprender os fundamentos da técnica que aprendeu sozinho e da forma mais curiosa o possível. Pooter sempre preferiu solar ao invés de simplesmente acompanhar a música. E foi a paixão por Carlos Santana que o fez aprender a técnica.
Era o início dos anos 80 e todo o guitarrista que se prezasse tinha que saber tocar Samba Pa Ti. Então Pooter, demonstrando mais uma vez a sua incrível criatividade musical, teve que inventar uma maneira de aprender a solar como Santana.
Ele teve a idéia de reduzir a rotação do LP do músico para conseguir decifrar, e decorar, nota por nota do solo. Como a rotação mais baixa do toca-discos era de 33rpm, ele teve de desgastar a roldana que fazia girar o prato para reduzir a velocidade. O resultado foi que Samba Pa Ti passou a ser ouvida em uma oitava a baixo, mas, ainda sim, mantendo seu tom. Pronto. Pooter conseguia entender as notas para poder reproduzi-las.
Escola do Rock
Apesar de finalmente estar concretizando um sonho, Pooter sabia que o ambiente no qual iria encontrar no curso de Rock seria diferente do que se espera que uma pessoa de sua idade freqüente. Mesmo assim, tinha a expectativa de conseguir se enturmar com todo mundo.
“Eu tinha consciência de que rock é uma coisa pra gurizada, que ia encontrar um monte de gente jovem, cabeluda e tatuada. Mas não me importei, era a hora de seguir meu sonho”
E foi o que aconteceu. Adorado pelos colegas e respeitado pelos professores, não tem quem não saiba quem é Pooter no curso de Rock da Unisinos. O que se ouve não é de se surpreender quando conhecemos sua história de vida. Organizado, dedicado, o primeiro a chegar e o último a sair das aulas são alguns dos elogios que seus colegas usam para descrevê-lo.
“Ele é praticamente o colega ideal. Todos respeitam o que ele tem a dizer, por isso ele informalmente foi eleito o porta-voz da turma diante dos professores”, conta Mário Ferreira da Silva, colega de Pooter e integrante da banda Sydburns, formada dentro do curso, da qual Pooter participa.
“Ele é um cara de iniciativa, bacana, além de muito dedicado. Sempre se senta bem na frente durante as aulas”, diz Lourenço de Souza.
Apesar da admiração dos colegas, Pooter não se ilude mais com a fama nem reserva muitas expectativas para o curso. Sua intenção ao ingressar na universidade não foi essa. A experiência de conhecer os bastidores do mundo do rock, fazer parte da evolução do mercado musical e aprender, estes, sim, são seus verdadeiros objetivos.
“Tenho despertado bastante interesse por gravações e o trabalho em estúdio. Mas se não der para eu viver disso, se eu não ganhar dinheiro, não me importa. Estou muito seguro e realizado por estar tendo a oportunidade de aprender mais sobre algo de que gostei a minha vida inteira”, conclui.
Saiba mais
Hoje, Luiz carlos Pooter toca nas bandas Sydburns, formada durante o curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock, na Banda The Remembers, onde toca cover de rock das antigas e possui um projeto autoral com amigos de nome provisório Os Lordes, que já possui 10 músicas compostas.


